terça-feira, 22 de dezembro de 2009

É a treva: rumo ao desastre





Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:”É a treva”. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.

Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises.

Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”.

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.

Leonardo Boff
Teólogo

domingo, 13 de dezembro de 2009

Rascunho de acordo em Copenhague

Documento produzido pela Dinamarca com o apoio do Reino Unido e dos Estados Unidos foi distribuído a um seleto grupo de diplomatas como um rascunho de declaração final levantou polêmica e expôs as intenções dos países industrializados na COP-15 (08/12/2009). o texto chegou a ser entregue a 10 ou 15 diplomatas, mas diante da reação negativa, foi retirado da mesa.

De acordo com o documento:
Países em desenvolvimento devem cortar entre 15% e 30% até 2020 com ‘apoio dos países ricos’

O rascunho prevê metas para países em desenvolvimento mas não inclui compromissos financeiros de longo prazo para nações desenvolvidas. O conteúdo foi considerado desfavorável para emergentes, como o Brasil. O financiamento das ações contra emissões nos países pobres é um dos pontos mais polêmicos da COP 15. O texto explicita que a principal fonte de financiamento devem ser “recursos novos e adicionais oferecidos pelos países desenvolvidos”, mas não cita valores. Está previsto ainda no rascunho a criação de um mecanismo para transferência de tecnologias de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas entre os países.

Além de reduzir as obrigações dos países ricos, a proposta aumenta o peso sobre as nações em desenvolvimento. Fixa uma data - a ser negociada - para que as emissões de gases-estufa atinjam seu pico e cria metas de redução do desmatamento até 2020. Países emergentes como Brasil, China e Índia discordam e só se comprometem com medidas voluntárias. O texto também sugere que só nações "mais vulneráveis" seriam beneficiadas com repasses de recursos de países ricos.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, portal G1 e blog eco4planet

Entendendo a COP-15

O que é?
Conferência que reúne representantes de 192 países para traçar acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

O Protocolo de Quioto
Assinado em 1997 e ratificado em 2005, estabelece metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, que historicamente contribuíram mais para a concentração desses gases na atmosfera. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, não têm reduções obrigatórias. O acordo determina a redução em 5% das emissões, em relação aos níveis de 1990.

Principais pontos da negociação
Transferência de tecnologia de países industrializados para que os países em desenvolvimento possam realizar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O Banco Mundial estima que sejam necessários pelo menos US$ 400 bilhões por ano para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças do clima.

A preservação de florestas para evitar emissões de gases de efeito estufa deve ser incluída no acordo, no mecanismo do Redd*. É preciso definir como os países que mantêm a floresta em pé serão recompensados: por meio de um fundo com contribuições internacionais voluntárias, com a geração de créditos de carbono negociáveis no mercado ou com um mecanismo híbrido entre fundos e mercado.

(*)REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação: política definida durante a COP15 que deverá estabelecer incentivos positivos aos países em desenvolvimento que tomarem uma ou mais das seguintes ações:
1. Redução das emissões derivadas de desmatamento e degradação das florestas;
2. Aumento das reservas florestais de carbono;
3. Gestão sustentável das florestas;
4. Conservação florestal.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aplicativo lê código de barras e indica o nível de sustentabilidade do produto


Consumir de forma consciente nem sempre é fácil. Apesar das boas intenções, muitas vezes é difícil saber quais produtos na prateleira do supermercado são sustentáveis social, econômica e ecologicamente. Para resolver esses problemas o GoodGuide e a Apple criaram um aplicativo que utiliza o iPhone e o iPod Touch para ler o código de barras dos produtos e informar se ele é sustentável ou não.

O aplicativo identifica o produto e indica um número referente à classificação daquele produto segundo critérios como os impactos na saúde do consumidor, respeito ao meio ambiente e responsabilidade social com todos os envolvidos na cadeia produtiva.

Tão simples como escanear um código de barras com um leitor comum, o aplicativo pode ler dados de produtos de limpeza e higiene pessoal, brinquedos e alimentos. Ao selecionar um produto os usuários recebem a pontuação relativa a ele, bem como informações como se ele causa algum tipo de problema de saúde, se gera lixo tóxico ou se a empresa possui políticas de inclusão social ou problemas trabalhistas.

Assim como no site do GoodGuide, as informações recebidas no aplicativo são baseadas em pesquisas científicas independentes de mais de 65 mil itens de consumo, além dos dados fornecidos pelas próprias empresas.

Para utilizar basta acessar o iTunes Store, instalar o aplicativo no iPhone ou iPod Touch e seguir o passo-a-passo indicado pelo programa. A boa notícia é que o aplicativo é gratuito e pode ser baixado em qualquer país. A má é que ele funciona apenas com produtos norte-americanos. Ainda assim, você pode instalá-lo e testar nas marcas internacionais que preenchem as prateleiras dos nossos supermercados.

Reportagem: www.ecodesenvolvimento.org.br